MARGIELA: A FRAGILIDADE E A FORÇA DO BRANCO

loja Martin Margiela em Paris
No final do ano passado, eu e a Karina Mota (Surface 2 Air), enviamos uma carta-entrevista à Maison Martin Margiela. A Karina conhece o pessoal de lá e me ajudou no acesso à marca. O Patrick Scallon, “communication art director” da Maison Margiela, mandou um email gentilíssimo, respondendo algumas questões (na época eles tinham acabado de desfilar o verão 2007), agradecendo o interesse e avisando que “as respostas foram escritas em nome da Maison Martin Margiela e não de Margiela ‘as an individual’, porém com seu aval”. E ainda termina assim: “esperamos que nosso reply seja interessante para você e para seus leitores”.

Vamos falar: tem tanta gente, que por muito menos, jamais daria uma resposta educada e profissional como essa, hein?

Bom, o caso é que, como não foi o Margiela em si que respondeu, fiquei sem ter onde publicar, o que acho uma pena. Quase uma ano mais tarde, publico aqui no meu cantinho, para quem se interessar. Espero que vocês gostem. Karina, merci.

1) Suas lojas e escritórios são inteiramente brancos, das paredes aos móveis. O que o branco significa para a Maison Margiela?

A força da fragilidade e a fragilidade do tempo (quando o branco mostra traços do envelhecimento das pessoas). Para nós, não é o branco no sentido clássico ou moderno, mas sim os muitos tons de brancos, que criam uma atmosfera rica e profunda. A passagem do tempo é normalmente destacada, mas nosso uso de um tom mais frágil coloca o branco como uma cor contra o “glossy”. Isso vem desde quando inauguramos nossa casa com um budget bem modesto. Móveis de vários estilos e épocas foram encontrados e comprados em mercados de pulga. Pintar tudo de branco foi uma forma de criar uma atmosfera simples e forte.

2) Como é a mulher que veste Margiela?

Independente, criativa, discreta, forte, frágil e que se conheça bem.

3) Suas coleções e desfiles são, a cada estação, únicos e surpreendentes. Qual era a idéia por trás da coleção de verão 2007?

Buscamos uma feminilidade mais minimal e construída. Ombros e golas exgaredados são atribuídos a uma evolução na silhueta da Maison Margiela, que é mais comprida, esbelta e também mais gráfica. A assimetria é, na maior parte das vezes, acentuada pelo uso de apenas uma ombreira, por exemplo. Cores vivas, primárias, azuis, pretos, vermelhos e brancos são marcadas em tons de pele.

4) Desde 88 vocês têm desafiado o universo da moda com suas idéias e um trabalho que envolve roupas, revistas e filmes. Quais são as suas maiores realizações?

Nossa maior realização é ainda estarmos aqui. As pessoas continuam a nos seguir e apoiar, encorajar e amar. Temos muita sorte por isso.

5) O que a idéia de Brasil traz para você?

Um país de contrastes e de amor, música e beleza. Mistura de povos. Modernismo, sol..

6) Existe algum plano de abrir uma loja na América do Sul?

We only wish we could!

7) Quais são seus desejos e planos para o futuro?

Abrimos uma loja própria em Los Angeles em março deste ano. Procuramos sempre manter a paixão acesa e permitir que cada vez mais pessoas possam conhecer nosso trabalho. Esperança é uma coisa importante para gente, mas também só serve se combinada a muita paixão e planejamento.
blusa da linha artesanal

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