O FEITICEIRO

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Eu adoro o Devendra. Acho uma figura  particular. Se por um lado ele é aquele piradão, mente aberta e enfeitiça pelo mundo com seu folk irônico e sua voz suave, por outro Devendra também aproveita o que de melhor o sucesso e o dinheiro têm a oferecer. De sua própria maneira, claro. Por exemplo, ele foi morar numa fazenda no interior de alguma cidade americana que não sei. Foi junto com mais dois caras da banda e lá ficou, internado, compondo seu novo disco, “Smokey Rolls Donw Thunder Canyon”, recém-lançado. Barba enorme, pés descalços e longe do resto da humanidade. Mas quando sai, nem que seja para ir ao mercadinho da cidade, vai em sua Mercedes Benz. Empoeirada e com adesivos de arco-íris nas janelas…
Eu vi uma foto dele nessa mesma fazenda, em um deque de madeira segurando uma espingarda. Quem não o conhece, com certeza pode confundí-lo com um típico caipira americano, daqueles que a gente vê em filme. Já no palco, ele se transforma em um feiticeiro do sexo e enlouquece as platéias com suas danças ritualísticas.

No álbum novo, tem a música “Yopo”, que ele escreveu após uma experiência lisérgica no Brasil. Em um passeio pela Amazônia, Devendra e sua trupe se perderam e foram parar na tribo Yanomani, que estava praticando o yopo, um ritual que consiste em aspirar um pó vermelho através de um longo tubo, uma vez em cada narina. “Nós também fizemos e, na primeira vez, senti a pior dor, como se minha cabeça estivesse sendo espremida”, conta. “Mas na segunda, de repente, entrei numa outra dimensão, pureza total. Tudo fica muito claro, dá para sentir a energia ao redor das coisas e tudo vai se transformando em gargalhadas”.

Nos anos 70 Banhart talvez não fizesse tanta diferença, mas em uma era de valores duvidosos como a nossa, uma pessoa que vive ainda sob uma liberdade hippie, rapidamente vira um símbolo do novo make love not war que o mundo perdeu.

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3 opiniões sobre “O FEITICEIRO

  1. Camila, entro sempre aqui no teu blog, que acho super bacana,com uma cara boa,mais multicultural(ops..)eu diria. É o tipo de blog que da vontade de visitar. Já até te adicionei no meu. Acompanho seu trabalho desde que vc era do clã Palomino. E claro, compro sempre a revista da Folha onde vc colabora. A proposito, quando sai a proxima? Não posso perder.
    Um abraço, Stuart

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